Resolução comentada
Resolução comentada: O texto, relativamente denso, do filósofo francês Jacques Derrida (1930-2004) discute uma distinção fundamental: justiça e direito são termos diferentes. A chave de leitura é a palavra “aporéticas”, que, embora comum no discurso filosófico, pode ser pouco usual para estudantes do Ensino Médio. Uma aporia é um problema que não admite solução ou que admite duas soluções contrárias e opostas. A expressão pode ser usada para representar uma situação em que é difícil se decidir e escolher entre várias respostas. Nesse sentido, Derrida chama a atenção para casos em que a determinação do que é justo depende de uma regra (codificada em algum código legal). No entanto, de acordo com o filósofo, nenhuma regra é capaz de abarcar todas as possibilidades ligadas à ideia de justiça, pois esta é “incalculável”. Há sempre a chance de se deparar com uma situação aporética ou de o próprio “cálculo” jurídico resultar em nova injustiça (as penas da justiça de fato reparam o desrespeito à lei?). O enunciado solicita, então, que se identifique um exemplo de ação justa mesmo que estivesse em desconformidade com o regramento jurídico. Entre as alternativas apresentadas, apenas a primeira, “casos de desobediência civil”, enquadra-se nessa condição de ser ilegal, apesar de justa, enquanto situação- limite das sociedades regidas por leis. As demais se referem a situações legais e justas (D e E) ou a práticas ilegais e injustas (B e C).
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